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26 de set. de 2018














A Borboleta Dourada
          De tempos em tempos as borboletas se reuniam no bosque para conversarem, trocarem idéias e se conhecerem melhor. As borboletas novas se apresentavam à comunidade e as mais velhas as admiravam por sua beleza e as animavam para o trabalho junto às flores. Todas tinham a missão de espalhar o pólen e assim levar a beleza a toda parte: às matas, às florestas, aos bosques e aos jardins. Sentado à porta de sua casa, um velho gafanhoto observava a passagem das borboletas. 
          Todas o cumprimentavam respeitosamente, pois o velho gafanhoto era tido e realmente era um grande sábio.
          Até que, se aproximou dele uma borboletinha bem jovem, inexperiente, e, diga-se de passagem, bastante sem graça...
          - Bom dia, senhor Gafanhoto! – disse ela timidamente.
          - Bom dia! – respondeu o gafanhoto – Vai à reunião das borboletas pela primeira vez?
          - É isso aí! – falou a borboleta insegura – E estou um pouco preocupada... Será que vão gostar de mim?
          Diga com franqueza: você não me acha meio feiosa, minha cor não ajuda e as minhas asas são grandes demais?
          - Não! – respondeu o velho gafanhoto - Cada um é como é! E a aparência das coisas não é muito importante.
          Cada um se faz bonito ou feio. – acrescentou o gafanhoto com bondade.
          Na reunião todas conversavam entre si alegremente. Riam e brincavam, mas nem olhavam para a borboleta dourada. Era como se ela não existisse. Foi a última a deixar a reunião, na esperança de que alguém ainda a visse e falasse com ela. Mas nada!
          Ninguém a enxergou ninguém reparou nela.
          Quando na volta para casa, passou novamente pela casa do velho e sábio gafanhoto e ele perguntou:
          - Olá borboletinha, não vem da reunião das borboletas? Então... Que tristeza é essa? Não te trataram bem?
          - Pra ser sincera, nem me viram... Ninguém me notou na reunião.
          - Ora borboleta, espera aí! Você não é feia como pensa! Falta-lhe um pouquinho de charme... Talvez... Mais isso não é difícil conseguir. Se quiser ouvir os meus conselhos...
         -Ah, senhor gafanhoto! Seria um favor! Eu sei, os seus conselhos são maravilhosos! O senhor já ajudou muita gente a ser feliz!
         - Em primeiro lugar, quero saber por que você não usa uma das armas mais poderosas que todos nós possuímos para ser felizes: O SORRISO!
         - O sorriso? – perguntou a borboleta espantada.
         - Sim, o sorriso ilumina o nosso rosto! Faz a alegria sair de dentro do coração da gente e se espalhar, deixando todos em volta de nós, muito alegres!
         - Mas como vou sorrir se eu não estou alegre?
         - Ora Borboletinha! Neste mundo não existe ninguém que não tenha um motivo para ficar alegre! É só procurar! Você não acha maravilhoso o fato de poder voar?
         - Ah! Isso eu acho mesmo! É legal demais voar por cima de tudo! Fazer piruetas, pousar em qualquer lugar, ir para qualquer parte... É claro! Voar é muito bom mesmo.
         - O seu trabalho não é espalhar o pólen das flores para multiplicá-las por toda parte?
         - É exatamente esse o meu trabalho!
         - Espalhar a beleza por onde passa será esse um trabalho qualquer? Não é maravilhoso fazer isso?
         - Pra falar com franqueza, não reparo. Faço o meu trabalho por obrigação!
         - Repare então criatura! – tornou a insistir o gafanhoto – Verá que beleza existe em volta de você! Experimente sorrir, seu sorriso será um grande aliado. Pois todo mundo gosta de um belo sorriso! Procure também, fazer as coisas por amor, e não por obrigação!
           A borboleta animada agradeceu os conselhos e voou confiante e esperançosa.
Feliz, ela vinha observando a beleza do pôr-do-sol e o vento a brincar com a folhagem das árvores.
         - Coisa linda! – pensou – Esse lugar onde moro é realmente uma beleza!
De repente notou que estava sorrindo e sentiu esse sorriso vir do fundo do seu coração.
            Estava assim, distraída quando ouviu uma vozinha muito fraca a chamá-la:
         - Olá... Borboletinha! Você parece ser tão boa. Poderia ajudar-me? Estou coberta de areia e não consigo livrar-me dela. Você não dará um jeitinho?
           Era uma formiguinha já quase sem fôlego a se debater na areia.
         - Pois não! – Falou a borboletinha aflita descendo imediatamente para bem perto dela.
         – Estou aqui para ajudá-la!
         - Vi o seu sorriso tão bonito por isso me animei a pedir ajuda. Quem sorri como você, só pode ter um coração cheinho de coisas boas!
          Essas palavras da formiga foram as mais lindas ouvidas pela borboleta até aquele dia, e jamais se sentira tão feliz!
          Em sua grande alegria a borboleta teve um desejo enorme de cantar e dançar numa revoada de felicidade.
          Um besourinho ao passar ao seu lado voando também, falou:
        - Como você dança bem! E é linda sabia?
        - Obrigada! – respondeu a borboleta meio sem jeito, pois nunca havia sido elogiada antes – Suas asas também são muito bonitas sabe? Cada um é bonito ao seu jeito!
          E lá se foi o besourinho alegremente a dançar também, feliz com as palavras da borboleta.
          Daí por diante, começou a observar tudo: a relva, as árvores, o céu, as nuvens, a brisa, a chuva, as montanhas ao longe...
          Nada mais escapava de sua vista e tudo era importante pra ela.
          Encantada, olhava as flores, reparava na beleza de cada uma, conversava com elas e, sem querer, passou a fazer o seu trabalho de todos os dias com um amor enorme brotando em seu coração.
        - É incrível mesmo, a diferença de quando se faz tudo com amor!
          O tempo foi passando e a borboleta era cada vez mais feliz, pois por onde passava sentia como era querida. Todos a festejavam e a olhavam com grande simpatia. Todo mundo queria conversar, dançar e brincar com essa borboletinha tão gentil, sempre a sorrir para todos.
          A sua tarefa diária a borboleta passou a fazê-la muito melhor! É claro! Agora fazia com amor!Afinal, chegou o dia da nova reunião das borboletas.
          Muito alegre ela recebeu a notícia. Na data marcada, saiu de casa mais cedo. Queria passar pela casa do gafanhoto antes da reunião, pois desejava agradecer-lhe pessoalmente os conselhos preciosos e quase mágicos. Como algumas poucas palavras boas podem ajudar tanto!
          A chegada da borboleta à reunião foi sensacional! Todas pararam para admirá-la.
         -Mas que borboleta linda!- diziam.
         - É dourada!... Venham ver!
         - Parece luminosa! Você é super legal!
          Todas a rodearam alegremente, e perguntaram:
         - Você é uma das novas, não é? É a primeira vez que vem aqui?
         - Não! –respondeu ela - Já estive aqui na reunião passada, mas ninguém me notou!
         - Não é possível! Você é linda demais! É uma borboleta dourada! Sabe lá o que é ser uma borboleta dourada? Ninguém deixaria de vê-la!
         –Essa é uma história muito comprida... Qualquer dia eu conto a vocês. Agora quero me apresentar a todas as borboletas, quero conhecer todas as minhas irmãs, conversar com elas e se muito amiga da comunidade das borboletas. À tardinha, depois de sair da reunião, passou novamente pela casa do velho gafanhoto. Desta vez queria fazer-lhe uma pergunta:
         - Senhor gafanhoto, diga-me uma coisa: eu mudei de cor?
         - Não borboletinha, a sua cor é a mesma...
         – Por que então me chamam de borboleta dourada?
         - Mas você é uma borboleta dourada! Sempre foi... Apenas a sua beleza estava escondida.
         - Agora você reflete o seu interior! E é dele que vem a verdadeira beleza: A que sai do coração e se reflete em todo o ser!
         - Por isso você está luminosa e linda!
         - Você agora, é a borboleta dourada mais linda que eu já vi em toda a minha vida!
Bellah Leite Cordeiro

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