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25 de mar de 2009

Cinco-Marias




Aqui, as cinco marias.
Marias-Morenas e Marias-Claras
confeccionadas com círculos de 3cm de feltro
para o enchimento... usei bolinhas de gude.

Recurso: Fantoche de Papelão


Este mocinho simpático é o Lourenço.
Foi confeccionado com papelão;
pintado com tinta acrílica;
os olhos são duas bolinhas de isopor;
a roupa, era uma camiseta velha. Muito velha;
nos braços usei tampinhas de garrafas pet;
cabelos de lã...
É isso!!!

História: O príncipe sapo

O príncipe sapo
Irmãos Grimm


Há muito tempo, quando os desejos funcionavam, vivia um rei que tinha filhas muito belas. A mais jovem era tão linda que o sol, que já viu muito, ficava atônito sempre que iluminava seu rosto. Perto do castelo do rei havia um bosque grande e escuro no qual havia uma lagoa sob uma velha árvore. Quando o dia era quente, a princesinha ia ao bosque e se sentava junto à fonte. Quando se aborrecia, pegava sua bola de ouro, a jogava alto e recolhia. Essa bola era seu brinquedo favorito.
Porém aconteceu que uma das vezes que a princesa jogou a bola, esta não caiu em sua mão, mas sim no solo, rodando e caindo direto na água. A princesa viu como ia desaparecendo na lagoa, que era profunda, tanto que não se via o fundo. Então começou a chorar, mais e mais forte, e não se consolava e tanto se lamenta que alguém lhe diz:
- Que te aflige princesa? Choras tanto que até as pedras sentiriam pena.
Olhou o lugar de onde vinha a voz e viu um sapo colocando sua enorme e feia cabeça fora d’água.
- Ah, és tu, sapo - disse - Estou chorando por minha bola de ouro que caiu na lagoa.
- Calma, não chores - disse o sapo - Posso ajudar-te, porém, que me darás se te devolver a bola?
- O que quiseres, querido sapo - disse ela, - Minhas roupas, minhas pérolas, minhas jóias, a coroa de ouro que levo.
O sapo disse:
- Não me interessam tuas roupas, tuas pérolas nem tuas jóias, nem a coroa. “Porém me prometes deixar-me ser teu companheiro e brincar contigo, sentar a teu lado na mesa, comer em teu pratinho de ouro, beber de teu copinho e dormir em tua cama; se me prometes isto eu descerei e trarei tua bola de ouro”.
- Oh, sim - disse ela - Te prometo tudo o que quiseres, porém devolve minha bola, mas pensou - Fala como um tolo. Tudo o que faz é sentar-se na água com outros sapos e coaxar. Não pode ser companheiro de um ser humano.
O sapo, uma vez recebida a promessa, meteu a cabeça na água e mergulhou.
Pouco depois voltou nadando com a boa na boa, e a lançou na grama. A princesinha estava encantada de ver seu precioso brinquedo outra vez, colheu-a e saiu correndo com ela.
- Espera, espera - disse o sapo - Leva-me. Não posso correr tanto como tu - Mas de nada serviu coaxar atrás dela tão forte quanto pôde. Ela não o escutou e correu para casa, esquecendo o pobre sapo, que se viu obrigado a voltar à lagoa outra vez.
No dia seguinte, quando ela sentou à mesa com o rei e toda a corte, estava comendo em seu pratinho de ouro e algo veio arrastando-se, splash, splish splash pela escada de mármore. Quando chegou ao alto, chamou à porta e gritou:
- Princesa, jovem princesa, abre a porta.
Ela correu para ver quem estava lá fora. Quando abriu a porta, o sapo sentou-se diante dela e a princesa bateu a porta. Com pressa, tornou a sentar, mas estava muito assustada. O rei se deu conta de que seu coração batia violentamente e disse:
-Minha filha, por que estás assustada? Há um gigante aí fora que te quer levar?
- Ah não, respondeu ela - não é um gigante, senão um sapo.
- O que quer o sapo de ti?
- Ah querido pai, estava jogando no bosque, junto à lagoa, quando minha bola de ouro caiu na água. Como gritei muito, o sapo a devolveu, e porque insistiu muito, prometi-lhe que seria meu companheiro, porém nunca pensei que seria capaz de sair da água.
Entretanto o sapo chamou à porta outra vez e gritou:
- Princesa, jovem princesa, abre a porta. Não lembras que me disseste na lagoa? Princesa, jovem princesa, abre a porta.
Então o rei disse:
- Aquilo que prometeste, deves cumprir. Deixa-o entrar.
Ela abriu a porta, o sapo saltou e a seguiu até sua cadeira. Sentou-se e gritou:
- Sobe-me contigo.
Ela o ignorou até que o rei lhe ordenou. Uma vez que o sapo estava na cadeira, quis sentar-se à mesa. Quando subiu, disse:
- Aproxima teu pratinho de ouro porque devemos comer juntos.
Ela o vez, porém se via que não de boa vontade. O sapo aproveitou para comer, porém ela enjoava a cada bocado. Em seguida disse o sapo:
- Comi e estou satisfeito, mas estou cansado. Leva-me ao quarto, prepara tua caminha de seda e nós dois vamos dormir.
A princesa começou a chorar porque não gostava da idéia de que o sapo ia dormir
na sua preciosa e limpa caminha. Porém o rei se aborreceu e disse:
- Não devias desprezar àquele que te ajudou quando tinhas problemas. Assim, ela pegou o sapo com dois dedos, e a levou para cima e a deixou num canto. Porém, quando estava na cama o sapo se arrastou até ela e disse:
- Estou cansado, eu também quero dormir, sobe-me senão conto a teu pai.
A princesa ficou então muito aborrecida. Pegou o sapo e o jogou contra a parede.
- Cale-se, bicho odioso disse ela.
Porém, quando caiu ao chão não era um sapo, e sim um príncipe com preciosos olhos. Por desejo de seu pai ele era seu companheiro e marido. Ele contou como havia sido encantado por uma bruxa malvada e que ninguém poderia livrá-lo do feitiço exceto ela. Também disse que no dia seguinte iriam todos juntos ao seu reino.
Se foram dormir e na manhã seguinte, quando o sol os despertou, chegou uma carruagem puxada por oito cavalos brancos com plumas de avestruz na cabeça.
Estavam enfeitados com correntes de ouro. Atrás estava o jovem escudeiro do rei,
Henrique. Henrique havia sido tão desgraçado quando seu senhor foi convertido em sapo que colocou três faixas de ferro rodeando seu coração, para se acaso estalasse de pesar e tristeza.
A carruagem ia levar ao jovem rei a seu reino. Henrique os ajudou a entrar e subiu atrás de novo, cheio de alegria pela libertação, e quando já chegavam a fazer uma parte do caminho, o filho do rei escutou um ruído atrás de si como se algo tivesse quebrado. Assim, deu a volta e gritou:
- Henrique, o carro está se rompendo.
- Não amo, não é o carro. É uma faixa de meu coração, a coloquei por causa da minha grande dor quando eras sapo e prisioneiro do feitiço.
Duas vezes mais, enquanto estavam no caminho, algo fez ruído e cada vez o filho do rei pensou que o carro estava rompendo, porém eram apenas as faixas que estavam se desprendendo do coração de Henrique porque seu senhor estava livre e era feliz.

História: O principezinho tirano

O principezinho tirano

Num reino longínquo, uma rainha desesperava-se por não ter filhos.
— Temos de ter um! Temos de ter um! — gemia o rei. — Para quem ficará este soberbo reino que me deixou o meu pai, que o recebeu do seu pai, e assim sucessivamente, até à criação do primeiro pai sobre a Terra? A quem entregarei a minha coroa, quando os meus ossos se tornarem velhos e quebradiços, quando estiver cheio de cabelos brancos e tolhido de reumatismo?
— Que quadro tão terrível da velhice me está a pintar, meu amigo! — exclamou a rainha, que também não tinha vontade nenhuma de envelhecer sem filhos. — Mas não deixa de ter razão: precisamos de ter uma criança.
A rainha consultou todos os manuais e os médicos mais poderosos e mais sábios. Por fim, graças a um deles, um bebé começou a mexer-se no seu ventre e depois a crescer, tranquilamente, em lindos lençóis.
— Cuidado! — preveniu-os o médico. — Este principezinho será o vosso tesouro, mas não lhe dêem mimo demais. Não tenham pressa em fazer dele um pequeno rei.
No entanto, mal o médico virou costas, a rainha pegou logo no pequeno príncipe e começou a enchê-lo de mimos.
— Tu és o meu reizinho, o meu único rei, e os teus desejos são ordens.
Esta frase não caiu em saco roto. Meteram numa redoma aquela criança infinitamente preciosa e, todas as manhãs, uma criada diplomada levava-lhe biberões de leite de burra e mel de abelhas raras. Dormia num colchão de pétalas de rosa colhidas na Abissínia às cinco horas da manhã, e em lençóis bordados a ouro. Para o servirem, uma dúzia de criadas corriam de um lado para o outro e dormiam a seus pés. Estava protegido de tudo: da mais leve brisa, do menor sopro, da mais pequena nuvem… Para o aquecerem, tinham construído um sol artificial, que não queimava a pele, mas que fornecia vitamina D. Foi assim que ele cresceu, tranquilamente, em silêncio, e cheio de tirania, porque os seus desejos eram ordens e esta frase não tinha caído em saco roto.
No dia em que completou sete anos, pareceu conveniente aos pais tirar aquela criança adorada da sua redoma de vidro.
— Meu pequerruchinho, agora já és grande!
— Não sou pequerruchinho nenhum. — disse o príncipe com desdém. — E se quer beijar-me, autorizo-a a que me beije os pés. É quanto basta.
Depois, dirigiu-se ao pai nestes termos:
— Eh, ó rei velhote, passa para cá a tua coroa!
O velho rei entregou-lhe a coroa sem dizer uma palavra, porque nunca havia dito “não” ao principezinho, nem quando ele tinha um dia, nem quando ele tinha três meses. Como proibi-lo então de alguma coisa aos sete anos de idade? E foi assim que o principezinho se transformou em rei. Um rei tirano de sete anos e alguns dias. Mandou cortar todas as árvores, porque lhe tinha caído uma ameixa na cabeça; mandou estrangular os tentilhões um a um, porque cantavam de manhã muito cedo; mandou prender a rainha sua mãe no 749º andar da mais alta das suas torres, porque ela se tinha atrevido a mandá-lo fazer os seus deveres reais. É o que por vezes acontece quando se é criado numa redoma.
O pior é que, apesar dos seus caprichos, ele tinha sempre um rosto infeliz e gritava:— Sinto-me sozinho!! Estou triste!! Ninguém gosta de mim!!
Quando viu aquele cortejo de disparates, uma violenta cólera apoderou-se do velho rei sem manto e sem coroa. Uma cólera que parecia um mar enraivecido.
— Anda cá, meu patife! — ralhou com voz grossa. — Que sorte a minha, ter de aturar um garoto tão mal educado! — o que era um verdadeiro rosário de palavrões para um rei tão bem educado como ele. E continuou:
— Anda cá, que vais levar um bofetão, um tabefe, uma palmada no traseiro. Ainda não apanhaste que chegasse, na tua vida!
A rainha, embora fechada no 749º andar, ouviu os gritos e desmaiou na sua torre. “Seremos condenados à morte”, pensava. “Seremos lançados do alto da torre.”
Mas não foi o que aconteceu. Muito sensatamente, o pequeno rei devolveu a coroa ao pai, murmurando:
— Perdão, papá.
O velho rei recuperou a coroa, o trono e o poder. Libertou a mulher e disse-lhe:
— Quando se entrega cedo demais a coroa a um pequeno príncipe, pode-se fazer dele um tirano insuportável! Bem que o médico nos avisou, minha querida!
E a vida continuou como antes. Com um pouco mais de ordem, de civismo. Quem era o mais feliz? O principezinho. Com o pai, aprendeu a jogar ao berlinde e a rir-se com as histórias divertidas que ele contava.
— Ah! — dizia ele. — Como é bom ser criança, não pensar em nada de muito sério e passar o tempo a brincar!

História: “MEUS LÁPIS DE COR SÃO SÓ MEUS”

“MEUS LÁPIS DE COR SÃO SÓ MEUS”
(Ruth Rocha)


A Lulu estava muito contente naquele dia.
É que era o dia do aniversário dela.
Quando ela chegou da escola já encontrou a mamãe preparando a festa.
O bolo já estava pronto, os brigadeiros, as balas e os pirulitos.
O papai estava enchendo as bolas e a tia Mari estava botando a mesa na sala.
Todos almoçaram na cozinha para não atrapalhar as arrumações.
Então Lulu tomou banho e vestiu sua roupa nova, que a mamãe tinha comprado para ela. E se arrumou toda e a mamãe botou nela um pouquinho de água de colônia.
O primeiro convidado que chegou foi o priminho da Lulu, o Miguel.
Depois chegou a Taís, o Arthur e o Caiã e todos os colegas do colégio.
E ficaram todos brincando no jardim.
Aí todos entraram para abrir os presentes.
Depois foram soprar as velinhas e cantar parabéns.
Lulu gostou de todos os presentes, mas o que ela mais gostou foi da caixa grande de lápis de cor que se abria feito uma sanfona e que tinha todas, mas todas as cores, mesmo. Depois que todos foram embora a Lulu foi dormir e ela até botou a caixa de lápis de cor do lado da caminha dela.
Então, logo de manhã, a Lulu já se sentou na mesa da sala, pegou o bloco grande de desenho e começou a fazer um desenho bem bonito, com seus novos lápis. Aí chegou o Miguel, que veio passar o dia com ela.
Ele se sentou junto da Lulu e disse que também queria desenhar.
Mas Lulu não quis nem por nada emprestar os lápis a ele.
- Os meus lápis de cor são só meus! – ela disse.
A mãe de Lulu ficou zangada:
- Que é isso, minha filha? Os dois podem desenhar muito bem. Empreste os lápis para o seu primo!Mas o Miguel já estava enjoado dessa conversa, e foi para fora andar de bicicleta. A Lulu desenhou casinhas e desenhou bonecas e desenhou um pato e um elefante. E pintou todos os desenhos com seus lápis novos e mostrou para a mamãe. Mamãe disse que estavam todos ótimos, mas que ela guardasse os desenhos e os lápis que ela precisava preparar a mesa para o almoço.
A Lulu juntou todos os lápis, mas, em vez de guardar na caixa, que é o melhor jeito para se guardar lápis, ela botou os lápis em cima do bloco e foi para o quarto, equilibrando tudo. Ela foi subindo as escadas, subindo as escadas, até que já estava chegando lá em cima, quando ela perdeu o equilíbrio e deixou os lápis caírem todos escada abaixo. Os lápis rolaram pela escada e foram batendo, batendo, batendo nos degraus.
A Lulu desceu as escadas e viu que todas as pontas dos lápis estavam quebradas. Então ela começou a chorar, que os lápis estavam estragados e que nunca mais ela ia poder desenhar. O Miguel, que estava brincando lá fora, veio correndo apara ver o que tinha acontecido.
Então ele disse à Lulu:
- Não chore não, Lulu, eu vou buscar meu apontador lá em casa e eu aponto todos os seus lápis. E ele foi e logo ele chegou com o apontador.
O Miguel apontou todos os lápis da Lulu.
Então a Lulu convidou:
- Miguel, você não quer desenhar comigo?
E o Miguel veio e eles fizeram uma porção de desenhos, e o Miguel ensinou a Lulu a fazer um automóvel e a Lulu ensinou o Miguel a fazer um elefante. Aí o Miguel ensinou a Lulu a fazer um foguete que voava direitinho. E a Lulu ensinou o Miguel a recostar umas bonecas engraçadas. E a Lulu se divertiu muito mais do que quando ela ficava desenhando sozinha...

Pessoas são Diferentes

Pessoas são Diferentes
(Ruth Rocha)


São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...
Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queira que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas,
Mas são muito diferentes!

História: Ideti — A menina preta que buscava a Deus

IdetiA menina
preta que buscava a Deus
(Zora Seljan)
Conto nagô

Ideti era uma menina órfã que morava com uma tia por nome Adelaiyê e sua prima Omon-Laiyê. Todos os que moravam naquela rua (Ôdé Aiyó), gostavam muito de Ideti e odiavam a prima Omon-Laiyê. Por este motivo Adelaiyê inventou juntamente com a filha que Ideti seria capaz de ir no céu com vida.
Imediatamente foram as duas ao palácio do rei Ôba-Laiyê dizer-lhe que Ideti tinha dito ser capaz de fazer uma proeza de que ele ou qualquer outro rei não seria capaz. Perguntou o rei o que dissera Ideti.
— Ela disse que pode ir com vida visitar Ôbá Orun e trazer como prova qualquer coisa de lá. — Respondeu Adelaiyê.
Então o rei mandou chamar Ideti e disse-lhe:
— Sob pena de morte quero que você vá visitar Obá Orun, pois me contaram que você andou dizendo ser capaz de fazer isto.
A moça negou que houvesse dito qualquer coisa parecida. Não sabia como alguém pudesse ir ao céu com vida.
— Ideti, — disse o rei, — já dei minha ordem. Agora só resta você pedir o que desejar para fazer a viagem, e que tenha boa sorte!
— Nada preciso, nada quero e nada temo, pois tenho fé em Obá Orun e no espírito de minha mãe. Ideti despediu-se do rei e de todos os que estavam presentes. Foi para seu quartinho, no fundo da casa da madrinha. Encomendou-se a Obá Orun e ao espírito de sua mãe. Arrumou sua trouxinha e saiu a caminho do céu, caminho que ela ignorava.
Andou bastante. Quando já estava muito cansada, sentou-se perto de uma encruzilhada, à sombra de um pé de lôko, que adornava o caminho, para comer um pouco do pouco que levava em sua trouxinha. Foi quando um pássaro pousou perto dela e cantou:
"Ideti Ideti, jála, julo, jála
Obé, aiyê ati arabirin iyá
Jála, júlo, jála
Pelo Omobirin - arabirin
Jála, júlo, jála, Eke
Pin minú I'owó otun
Obá Orun féré ú rárá
Jála, júlo, jála Ideti."
Com estes dizeres o pássaro dizia o seguinte: "Ideti, sua tia, sua prima e o rei levantaram um grande falso. Tome o lado direito deste caminho que Deus gosta de você e está à sua espera".
A menina recomeçou a jornada sempre pelo lado direito conforme ordenara o passarinho, até deparar-se com um grande portão. Parou e ficou pensando como haveria de atravessá-lo pois ali findava o caminho. O pássaro tornou a aparecer cantando assim:
"Ideti, Ideti, jála, júlo, jála, Ideti
Agoia ilê iwó ló esó Olorun
Jalá, juló, jalá Ideti
Okurin l'owó otun ati osi didê
Jála, júlo, jála Ideti
Olorun Agá ijokô
Jála, júlo, jála Ideti."
O pássaro voou e Ideti entendeu o seguinte: "Entre, você vai aos pés de Deus. Tem um homem em pé do lado direito e outro do lado esquerdo. O que está deitado entre os dois é Deus (Obá Orun)."
Ela tomou coragem, bateu no portão e este se abriu dando-lhe passagem. Foi andando e avistou uma casa muito grande e muito bonita. Quando chegou mais perto, em frente a uma enorme varanda, alguém veio a seu encontro perguntando:
— O que veio fazer aqui, menina?
— Vim ver Obá Orun.
— Você sabe que as pessoas que entram aqui não tornam a voltar?
— Sei. Porém com minha fé e por causa de que fizeram comigo ele me deixará voltar.
— Você conhece a quem veio ver?
— Não, mas se me for dado o direito de ver, conhecerei.
Levantou-se uma cortina e aquela pessoa perguntou ainda:
— Qual desses três é Obá Orun.
— É o do meio.
— Vem cá, minha filha, disse-lhe Deus. Mandaram você fazer todo esse sacrifício e você, confiada em mim, o fez. Receberá a recompensa de tudo isto depois que me catar uns cafunés.
Ela subiu numa espécie de tamborete e começou a catar os cafunés.
Deus perguntava sempre:
— Esta vendo alguma coisa?
Ela respondia:
— Não, senhor.
Mas via o mar, todo o céu, a terra com todos os seus habitantes, inclusive as casas do rei e da madrinha, o lugar onde ela morava etc.
Então ela começou a chorar pensando que teria de voltar e sofrer mais cativeiro mais ingratidão de sua tia e de morar naquele chiqueiro. Deus consolou-a dizendo:
— Não chore, Ideti, minha filha. Você vai ser muito feliz. Tome este espelho. Quando voltar e tiver de passar nos portões se alguma arárum (alma) tentar impedir, basta mostrá-lo que tudo se arranjará. Tome também estas três caixinhas. A vermelha, você entrega ao rei logo que chegar. A amarela é para sua tia e esta preta é para você. Depois que falar com o rei e com sua tia, vá para seu quartinho e abra a caixinha.
Ela pediu-lhe a bênção e ele respondeu:
— Vai, minha filha, meu pai que lhe abençoe. Dali começou a viajar de volta. Logo no primeiro portão uma porção de araruns ou eguns (almas, espíritos) se apresentaram cortando-lhe o caminho. Ideti lembrou-se do espelho que Olorun Orun lhe havia dado. Mostrou-o e os espíritos saíram da frente. Ela passou sem ter acontecido nada que a fizesse temer. No segundo e terceiro portões aconteceu a mesma coisa, e, por fim, vencendo todos os perigos, depois de uma longa viagem, ela deparou como já referido pé de lôko onde mais uma vez sentou-se para um pequeno descanso: Imediatamente surgiu o pássaro cantando desta maneira:
"Ideti, Ideti, Jála, júlo, jála
Ideti, Olorun Bucunfun-é
Jála, júlo, jála
Mo je ararun iyá ré
Jála, júlo, jála
Pewá bôjutô - onâ ré
Jála, júlo, jála Ideti."
Neste cântico o pássaro dizia-lhe o seguinte: "Ideti, Deus que lhe abençoe, sou o espírito de sua mãezinha que foi designado por Obá Orun, a fim de guiar e vigiar seus passos."
Neste mesmo instante o pássaro desapareceu para sempre.
Ideti ficou muito pesarosa, chorou um pouco, depois resignou-se e, levantando-se começou sua jornada, andou, andou muito, até que em uma manhã de um dia bonito ela deu com a cidade onde morava. Quando passou pela casa de Adelaiyê, sua prima Omon-Laiyê, que estava na janela, saiu gritando:
— Mamãe! Ideti voltou e trouxe um "mucado" de coisas. Será que trouxe alguns presente para nós?
— É bem possível, minha filha. Vamos nos preparar para recebê-la da volta de sua visita a Obá Orun.
Ideti ia andando em direção à casa do rei. Por onde passava, as pessoas paravam o que estavam fazendo e a seguiam dando vivas e saudando a Ideti, a imortal — Ideti a rainha de Odê Aiyó. Quando ela chegou a casa do rei este veio ao seu encontro. Ideti entregou-lhe a caixinha, despediu-se e voltou para a casa de sua tia, acompanhada por banda de música cânticos e toques de atabaques de todos os descendentes de sua raça que ali residiam. Mas junto a casa de Adelaíyê, todos debandaram porque não gostavam dela por causa dos maus tratos causados a Ideti que agora consideravam a sua nova rainha, a rainha imortal.
Mal Ideti botou os pés na porta, sua tia veio buscá-la junto com a prima, com os maiores cuidados, levando-a para tomar banho, trocar de roupa e oferecendo-lhe um grande almoço. Porém nada disso Ideti aceitou. Tratou logo de entregar-lhe a caixinha e encaminhou-se para seu quartinho.
Enquanto isso na casa do rei, quando todos saíram, este deu ordem para dizer aos que viessem procurá-lo, que não poderia atendê-los, que não queria ser incomodado porque ia gozar do presente que Obá Orun havia lhe enviado. Trancou-se no seu quarto e abriu a caixinha. Então de dentro dela saíram tantas formigas e de tantas qualidades que deixaram o pobre rei em ossos.
Por sua vez a tia de Ideti ficou bastante satisfeita com o seu presente. Chamando a filha encaminhou-se para um dos quartos da casa e quando abriram a caixinha saíram de dentro todas as qualidade de maribondos que acabaram com a vida das duas.
No seu quartinho Ideti também abriu sua caixinha depois de ter-se sentado um pouquinho para descansar e depois de ter tomado um golinho de omi (água). Nisto deparou-se com um caixão de defunto e desmaiou de susto. Quando voltou a si, estava num palácio grande e bonito, com muitos vassalos e damas de companhia para servi-la. Foi assim que Ideti passou a ser a rainha da Terra do Ôyó (Odê Oiyó).
(Em Seljan, Zora. "Conto nagô". Literatura. Rio de Janeiro, outubro de 1959)

História: "Zuzu, a abelhinha que não podia fazer mel"

Zuzu,
a abelhinha que não podia fazer mel

Zuzu era uma abelhinha igual a todas que você conhece.
Bem, igual, igual, não. Desde pequenina ela ficou sabendo que era um pouco diferente das outras: não poderia fabricar mel como suas companheiras.
No início, isso não tinha muita importância para ela. Mas, com o tempo, vendo como seus pais ficaram tristes, pois sonhavam com a filhinha estudando, se formando na Universidade do Mel, trabalhando, progredindo, como as outras abelhas da colméia, começou a ficar entristecida, magoada, porque percebeu que não atingiria as expectativas dos pais. Eles a levaram aos melhores especialistas do abelheiro, mas todos foram unânimes: Zuzu jamais seria igual às outras...
Zuzu vivia cabisbaixa, solitária, era motivo de gozação e brincadeiras de mau gosto por parte das outras abelhas de sua idade.
Certo dia, muito aborrecida, resolveu voar para bem longe. Sem perceber, aproximou-se de outra colméia, desconhecida. E logo percebeu que ali era diferente de onde ela morava: na entrada, algumas abelhas guardiãs também possuíam dificuldades: algumas não tinham uma asa, outras eram cegas...
À medida que foi penetrando nessa nova colônia, notava que em todos os setores as abelhas consideradas “deficientes”, trabalhavam e eram eficientes nas suas funções. Conheceu algumas que, como ela, não podia produzir mel. Todas estavam ativas e contentes: controlavam o estoque de mel, a qualidade do produto, e até chefiavam a produção. Isso a deixou muito feliz: ela também poderia ser útil!
Conversando, suas novas amigas lhe contaram que ali todas eram respeitadas e trabalhavam de acordo com as suas capacidades.
Exultante, Zuzu voltou para sua casa cheia de novidades. No início, todos acharam que aquilo era uma bobagem, um sonho, fruto da imaginação. Com perseverança foi, aos poucos, introduzindo novas idéias na sua colméia. Conseguiu levar uma comissão de ministros a outra colméia para que eles vissem que o seu ideal era possível. Assim, lentamente, na sua comunidade, foi sendo eliminado o preconceito às abelhas portadoras de cuidados especiais. Zuzu, como se sabe, chegou ao importante cargo de chefe da produção de mel de todo o reino, pela sua inteligência, pela suas habilidades, levando consigo muitas de suas irmãs.
Seus pais, agora venturosos, entenderam que a felicidade de Zuzu não está em fazer como os outros, mas em fazer como lhe é possível e da melhor maneira, evitando comparações.

Luis Roberto Scholl

História: Um Amor de Confusão

Um Amor de Confusão
(Dulce Rangel)


Dona Galinha um ovo botou. Mas, quando foi passear, outros dois ovos no caminho ela encontrou.
Um ovo mais dois ovos com três ovos ela ficou. Dona Galinha os três ovos em seu ninho colocou. Mas, quando foi passear, outros dois ovos no caminho ela encontrou.
Três ovos mais dois ovos com cinco ovos ficou. Dona Galinha os cinco ovos em seu ninho colocou. Mas, quando foi passear, mais três ovinhos no caminho ela encontrou.
Cinco ovos mais três ovos com oito ovos ela ficou. Dona Galinha os oito ovos em seu ninho arrumou. Mas, quando foi passear, mais um ovo ela achou.
Oito ovos mais um ovo com nove ovos ela ficou. Dona Galinha os nove ovos em seu ninho ajeitou. Mas quando foi passear um ovo enorme ela encontrou.
Nove ovos mais um ovo com dez ovos ela acabou.
E, com paciência e carinho os dez ovos ela chocou.
Mas, que surpresa não foi o dia em que os ovos se abriram. Vocês nem podem imaginar os bichos que da casca saíram.
Nasceu ganso, pato, marreco e tartaruga. Apareceu codorna, pintinho e até um jacaré.
Agora eu só quero ver a confusão que vai ser na hora que essa turma sair pra comer. Có!???

História: A TOUPEIRA que queria ver o cometa

A TOUPEIRA
que queria ver o cometa

Era uma vez uma toupeira.
As toupeiras são míopes: só enxergam coisas que estão bem pertinho, encostadas na ponta do focinho.
É que elas moram em túneis. Este é o seu mundo: debaixo da terra. Lá dentro é tudo escuro, não há nada pra ser visto. Talvez elas tenham resolvido viver assim, por medo. A pena é que, lá no fundo se não vão os bichos perigosos, também não vão nem os pássaros e nem as borboletas, e não se vê nem o luar e nem o arco-íris. A toupeira da nossa história tinha um apelido: Ceguinha. Os outros bichos riam dela porque ela nunca via nada.
No jogo de cabra-cega nem precisavam pôr a venda nos olhos dela, já que ela não via nada nem quando estava com os olhos abertos.
E ela ficava sempre por fora das conversas, porque ela não sabia sobre o que falar.
Só falava sobre o seu túnel.
Enquanto a bicharada falava de frutas que cresciam no alto das árvores, ou de nuvens que ameaçava chuva, ou da beleza do arco-íris, ou da brancura do luar, ela nunca sabia do que se tratava, pois não podia ver o alto das árvores nem as nuvens que ameaçam chuva, nem a beleza do arco-íris e muito menos a brancura da lua.
Ela piscava os seus olhinhos míopes.
Certo dia ela percebeu algo incomum, um alvoroço entre os animais. Falavam sobre uma coisa nova, sobre o que nunca haviam conversado antes.
A dona Coruja, professora, especializada em coisas que acontecem à noite falava aos outros animais sobre um cometa.
A Coruja explicava que leu em um jornal que um cometa era uma coisa brilhante que aparece no céu, parecia estrela, mas não era, porque as estrelas estão sempre lá, no mesmo lugar, mas um cometa fazia uma visita e desaparecia, por muitos e muitos anos.
A Coruja explicava que o tal cometa só aparecia a cada 76 anos e que o cometa vem das lonjuras do céu. E os bichos ficavam parados, de boca aberta com D. Coruja que sabia tanto.
O rabo do cometa era tão grande, mas tão grande que ia do horizonte até o umbigo do céu, bem encima da floresta. Os bichos olharam pra cima, pra ver onde ficava o umbigo do céu. Ceguinha olhou também. Mas... Não viu nada. E se o cometa estava tão longe assim, que diferença ia fazer em sua vida e em seu túnel? Ceguinha já se preparava pra voltar pra casa quando ouviu D. Coruja dizer que o cometa tem poderes mágicos. Ele tem o poder de realizar os desejos de quem o vir. Se alguém, ao olhar pra ele, de todo o coração desejar alguma coisa, esta coisa acontece mesmo...
Ceguinha se virou tristemente e duas lágrimas caíram de seus olhos.

História: A Bruxa e a Passarinha

A Bruxa e a Passarinha

Era um dia ensolarado quando a passarinha disse ao marido:
- Querido, hoje, enquanto você trabalha, voarei por aí para procurar uma árvore que seja aconchegante e bonita. E, se eu encontrar alguma, com certeza lá faremos o nosso novo ninho.
E o passarinho respondeu:
- Tudo bem, querida! Mas não se esqueça que você não pode fazer muita força. Quero que meus filhotes nasçam com muito fôlego para piarem! Agora, já estou atrasado, tenho que ir.
Ele deu uma bicadinha no bico da passarinha e levantou vôo. Ela, que estava ansiosa para começar a procurar uma árvore bonita, não demorou muito. E após terminar de se enfeitar, também se pôs a bater assas.
- Como tudo isso é belo. Vejo que será difícil escolher um lugar.
Logo mais, a passarinha percebeu que todas as árvores nas quais ela queria fazer seu ninho, já estavam habitadas. Mas ela não desistia, sempre levantava vôo novamente para procurar um espaçozinho adequado.
- Quem procura, sempre acha.
A passarinha também. Ao avistar a árvore mais bonita que já tinha visto, pensou:
- Muito bonita, mas já deve estar com seus galhos cheios de ninhos. De qualquer modo, vou até lá. Quero que meus olhos vejam bem de perto o esplendor que um dia eu sonhei para fazer meu ninho.
Enquanto ia chegando mais perto, seu coração disparava cada vez mais. Quanto mais se aproximava, mais lhe parecia que não havia nenhum morador naquela árvore. Ao pisar no galho, quase chorou. Não tinha somente um pequeno lugarzinho onde coubesse seu ninho, mas sim, qualquer galho ou folha que ela quisesse ter.
Tudo era muito bom. Olhou para os lados e viu uma casa muito antiga: imaginou que ali vivia uma senhora bondosa. Olhou para o chão e viu pequenos galhos: pensou em como seria fácil construir seu ninho.
Começou a construí-lo devagar. Mas tudo era muito fácil e em pouco tempo o ninho já estava pronto, do jeito que ela queria. Ficou tão emocionada que pensou em botar um pombo correio para procurar seu marido, mas, naquele momento, só conseguiu botar ovos. Três ovos.
A passarinha sentou-se em cima deles e o tempo passou. Não percebeu anoitecer, não percebeu adormecer, porém, percebeu-se acordar:
- Meu marido deve estar muito preocupado comigo. Como conseguirei avisá-lo de tamanha felicidade se por aqui não vejo nenhum pombo correio passar? Terei eu mesma de ir encontrá-lo. Vocês, meus filhotes, ficarão sozinhos por um tempo. Mas nada de ruim acontecerá. Logo, logo, eu voltarei!
Ela estava preocupada com os filhotes. E nas duas formas da palavra: ela foi voando encontrar seu marido.
A cortina da janela da casa que aberta a espiava, se fechou. Uma velhinha de feições nada amigáveis apareceu no quintal. Aproximou-se da árvore. Com as mãos abrindo as folhas que lhe tapavam a visão, procurou até achar o ninho. Percebendo que o alcançava sem grandes esforços, pegou os três ovinhos com o mesmo cuidado que pegava pedras e os levou para dentro de sua casa.
Ao chegarem na árvore, pouco tempo depois, passarinho e passarinha se surpreenderam. Ele quis saber:
- Querida, onde estão nossos filhotes.
A passarinha, sem ar, disse:
- Eu não sei, os deixei aqui. Acho que a senhora que vimos no quintal, bem perto da árvore enquanto voávamos, sabe onde eles estão.
Voou para dentro da cozinha pela porta que a velha tinha deixado aberta. Lá estava a velha com os três ovinhos em cima da pia.
- Senhora, me desculpe, mas esses ovos são meus filhotes. Eu vim buscá-los!
- Como seus filhotes? – retrucou a velha malvada.
- Eles estavam no meu ninho, na árvore ali de fora, são meus filhos!
- Claro que não. Tudo o que aquela árvore dá ou que o que dá nela é meu, pois a árvore é minha.
- Vejo que você não é a velhinha bondosa que estava nos meus sonhos. Vejo que você é uma bruxa e por isso, tenho uma proposta a fazer.
Antes mesmo de que a bruxa falasse alguma coisa, a passarinha continuou:
-Pertenço a uma espécie rara de pássaros. Para que nossa espécie não desapareça, fomos abençoados: o pássaro que botou os ovos poderá realizar um desejo para cada filhote que nasça. No caso, você, somente você, teria direito a três desejos quaisquer.
Desconfiada, a velha perguntou:
- Posso pedir qualquer coisa? Qualquer uma?
- Pode! – respondeu a passarinha – Geralmente, pelo que me disseram os meus antepassados, as pessoas pedem dinheiro, poder e vida eterna, nessa mesma ordem. A minha espécie não bota mais do que três ovos no ninho. Você quer devolver meus filhos para o ninho para que eu lhe conceda os três desejos?
A bruxa pensou bastante, mas concordou.
- Então, já que estamos de acordo, ponha meus três filhotes onde estavam.
E assim a velha fez.
A passarinha voltou a chocá-los. E o marido sempre ficava ao lado dela. O tempo certo se passou e o primeiro ovinho foi quebrado pelo bico do despenado. A passarinha chamou a bruxa:
-Bruxa, venha ver. O seu primeiro desejo acaba de nascer.
Ela veio correndo e perguntou:
- Já posso fazer meu desejo?
- Sim, já pode! – respondeu a passarinha.
- Quero dinheiro, muito dinheiro! Quero riqueza. Não agüento mais essa casa velha.
- Seu desejo será realizado!
A velha piscou os olhos, mas não viu nenhum dinheiro na sua frente. Piscou de novo, mas desta vez mais devagar e nada do dinheiro.
- Onde está o meu dinheiro, seu ser insignificante? – gritou enraivecida!
- Calma, bruxa! Os desejos se realizarão quando todos os três nascerem. Ainda faltam dois.
Furiosa, a velho entrou em casa. Estava com muita raiva naquela hora.
- Veja, querido! Mais um ovo está se quebrando. – e novamente gritou para a velha - - Bruxa! Venha fazer seu outro pedido!
Lá estava a mulher de novo!
-O que quererá? – lhe indagou.
-Poder! Todo o poder do mundo.
-O seu desejo será realizado!
Novamente, nada mudou na velha. Nem se sentia um pouquinho mais poderosa. Mas sim, muito nervosa. Quase desesperada.
-Eu já expliquei, não fique assim, os desejos só serão realizados quando meu último filhote nascer.!
A velha entrou pela cozinha preocupada, passando a mão na cabeça.
Naquele dia, esquisitamente, não nasceu mais nenhum pássaro. E nem no outro dia. E nem no outro. Muito menos no outro. Bastante tempo se passou e os que já haviam nascido já tinham peninhas, já estavam no momento certo para aprenderem voar. O papai-pássaro trabalhava e não tinha tempo para ensinar aos filhos como bater as asinhas. Por isso, o serviço deveria ser feito pela mamãe deles. No dia no aprendizado, ela gritou pela velha.
- Bruxa! Bruxa! Vem cá. Acho que hoje nasce meu terceiro filhote.
A velha foi correndo. Mas teve de escutar algumas explicações:
- Olha, bruxa, sairei com meus dois filhotes já nascidos para ensiná-los a voar! Acho que o atrasadinho aí nasce hoje. Como não tenho outra escolha, além de confiar em você, quero que tome conta dele enquanto eu estiver fora.
A velha sorriu maliciosamente e disse:
- Eu cuidarei bem dele. Tão bem que será capaz de nascer sob meus cuidados.
Ouvindo isso, a passarinha começou a instruir seus filhotes:
- Primeiro, ponham as asinhas para cima, depois para baixo. Para cima, para baixo. Agora pulem meus filhotes!
Agora eles já estavam voando, e a mãe os seguiu, dando as instruções finais. Voaram para longe, bem longe. A velha até pensou que eles não voltariam!
- Será que essa passarinha vai voltar? Bem, acho que sim! Ela não iria abandonar o filhote. Mas... será que ela sabe o que eu fiz? Será que ela viu o pequeno furo no ovo? Não... acho que não... ela é muito burra. Bem, tenho de agir rápido.
A velha entrou na casa com as mãos vazias e saiu alguma coisa em uma delas. Um rato. Era um rato.
- Do jeito que essa passarinha é burra nem vai perceber que isso é um rato. Sorte minha ter achado uma ninhada desses na sala de casa.
E pensando isso, pôs o ratinho recém-nascido no ninho e esperou que a passarinha chegasse para fazer o seu terceiro pedido. E, claro, para que todos juntos se tornassem realidade.
Viu de longe um pássaro. Seria ela? Pensou. Sim, era ela. Ao pisar no galho, a passarinha se surpreendeu! A velha falou:
- Pronto, seus três bichos nasceram, agora, realize meus desejos. Meu terceiro desejo é vida eterna.
A passarinha contestou:
- Como? Você não tem direito a um terceiro desejo. Quem você acha que engana? Desde quando ratos saem de ovos?
A velha tentou falar algo, mas não deixaram.
- Nesse jogo, ganha o mais inteligente. A sua fome devorou o meu filhote, mas a minha sabedoria salvou os outros dois. A sua fome não foi saciada com meu filhote, você queria mais: riqueza, poder e vida eterna. Você foi cínica, eu também. Você foi falsa, eu também! Mas o pior de tudo é que você foi burra. Sabe por quê? Você acreditou numa história que um passarinho te contou!
A passarinha não saiu ilesa, também perdeu. Mas perdeu muito menos do que perderia se ficasse de asas cruzadas.



Eduardo Franciskolwisk

História: O Príncipe Adormecido

O Príncipe Adormecido
Um Conto de Fadas da Grécia

Um rei tinha uma filha que era toda sua alegria e, quando precisou partir para guerra, ficou muito preocupado com a princesa. Percebendo sua aflição, ela lhe disse:
“Vá em paz, meu pai, e volte em paz. Estarei aqui, esperando por você”. Depois que o rei partiu, a princesa passava os dias junto à janela, bordando um lenço para ele. Uma tarde uma águia dourada se aproximou da janela e falou:
“Borde, Alteza! Há de se casar com um morto”.
“O que quer dizer com isso?”, ela perguntou espantada.
“Monte em meu dorso e saberá”, a águia respondeu, carregando-a para um lugar muito distante, onde a deixou perto de um poço.
A princesa desceu no poço e lá no fundo encontrou um príncipe que jazia na cama, tendo ao seu lado uma placa:
“Se tiver piedade de mim vele-me por três meses, três semanas e três dias. Quando eu espirrar, diga: ‘Deus o abençoe e lhe dê longa vida!’. Então acordarei e me casarei com você”.
A princesa sentou à cabeceira do jovem e velou-o por três meses e três semanas. Todos os dias, ao despertar, encontrava uma bandeja de comida e água, mais nunca via ninguém. Certa manhã escutou uma moça perguntando:
“Quem precisa de empregada?”.
“Ei, olhe para baixo!”.
Como a jovem parecia bondosa, contratou seus serviços e lhe contou tudo sobre o príncipe. As duas passaram o dia conversando, e à noite a moça falou:
“Agora vá dormir. Ficarei velando e, se ele espirrar, eu a acordarei”.
Assim que a princesa dormiu, o rapaz espirrou e a criada falou:
“Deus o abençoe e lhe dê longa vida!”. O jovem acordou e a abraçou cheio de felicidade.
“Você me libertou de um encantamento e será minha esposa.”
Pouco depois viu a princesa dormindo no chão e perguntou:
“Quem é?”.
“É minha empregada. Deixe a coitadinha dormir em paz e, de manhã, mande-a cuidar dos gansos.”Quando a princesa despertou, a criada lhe disse:
“O príncipe acordou e falou que quer se casar comigo e que de hoje em diante você tem que cuidar dos gansos.”
Naquela tarde o rapaz reuniu as duas e perguntou a cada uma delas que presente gostaria de ganhar.
“Uma coroa de diamantes”, a empregada declarou.
“A pedra do moinho da paciência, a corda do carrasco e o facão do açougueiro”, respondeu a princesa.
O príncipe lhes deu o que queriam e logo mais, à noite, passou por perto do quarto da guardadora de gansos e ouviu a pobre contando sua história aos objetos que ganhara.
“O que devo fazer?”, perguntou a princesa.
“Tenha paciência”, respondeu a pedra do moinho.
“Corte a garganta”, sugeriu o facão.
“Enforque-se!”, aconselhou a corda.
Nesse momento o príncipe entrou correndo no quarto.
“Não faça nada disso!”, gritou.
“Você é minha verdadeira noiva, e a outra moça não passa de uma mentirosa. É ela que deve morrer na forca!”
“Não! Ela quis me prejudicar, mas deixe-a ir embora. Apenas me leve para casa de meu pai e se case comigo.”

História: Os Sete Corvos


Os Sete Corvos
Conto de autoria dos irmãos Grimm, traduzido do original por
Ruth Salles e Renate Kaufmann.


Era uma vez um homem que tinha sete filhos, mas por mais que o desejasse, nem uma só filha. Afinal, de novo sua mulher lhe comunicou a próxima vinda de uma criança; e, quando esta veio ao mundo, era realmente uma menina.
Foi grande a alegria, mas a criança era pequena e franzina e, devido sua fraqueza, precisou ser batizada às pressas. O pai mandou, com urgência, um dos meninos fonte buscar água para o batismo, e os outros seis foram junto.
Como cada um quisesse ser o primeiro a tirar água, o jarro lhes caiu dentro do poço, e lá ficaram eles sem saber o que fazer, e nenhum se atrevia a ir para casa.
Como nunca mais voltassem, o pai impaciente sentou-se e disse:
- Certamente, por causa de alguma brincadeira, esses meninos desalmados se esqueceram da tarefa. E, temeroso de que a menina morresse sem ser batizada, exclamou mui o zangado:
- Quisera que todos eles se transformassem em corvos. Mal pronunciara essas palavras, ouviu sobre a cabeça um ruflar de asas, olhou para o alto e viu sete corvos pretos como carvão que alçaram vôo e partiram. Os pais não puderam tirar a maldição, mas, embora desolados com a perda dos sete filhos, encontraram algum consolo na querida filhinha, a qual logo adquiriu forças e, dia após dia, foi ficando mais bonita.
Durante muito tempo, ela nunca soube que tivera irmãos, pois os pais tinham o cuidado de não lhe falar no assunto; até que um dia, por acaso, ouviu algumas pessoas dizerem que ela era uma menina muito bonita, mas, praticamente, a culpada da desgraça de seus sete irmãos.
Ela então, consternada, foi perguntar ao pai e mãe se tivera irmãos e o que fora feito deles.
Os pais não puderam manter o segredo por mais tempo, mas lhe disseram que aquilo fora um decreto do céu, e seu nascimento apenas o motivo inocente. Porém a menina todos os dias sentia escrúpulos de ter sido a causa da desgraça de seus irmãos e achou que precisava salvá-los.
E não teve mais sossego, até que um dia partiu secretamente e saiu pelo mundo afora, a fim de encontrá-los, onde quer que estivessem, e libertá-los.
Não levou nada consigo, a não ser um anelzinho de seus pais como lembrança, um pão para matar a fome, um jarrinho com água para saciar a sede e um banquinho para descansar. E foi andando, para longe, para longe, até o fim do mundo.
Chegou onde estava o sol, mas este era quente demais, assustador, e comia criancinhas. Fugiu então apressadamente e correu até a lua, mas esta era fria demais e também horrível e má. Ao notar a criança disse:
- Sinto cheiro, sinto cheiro de carne humana.
A menina foi-se embora depressa e chegou até as estrelas, que foram boas e gentis com ela. Cada uma estava sentada em sua cadeirinha; e a estrela d’alva, dando um ossinho de galinha, disse:- Sem este ossinho não poderás destrancar a porta da montanha de vidro, onde se encontram seus irmãos. A menina pegou o ossinho, embrulhou-o muito bem num lenço, e partiu novamente, caminhando por muito tempo, até chegar à montanha de vidro.
O portão estava trancado, e ela quis tirar o ossinho do lenço, mas quando o abriu estava vazio: ela perdera o presente das bondosas estrelas. Que fazer agora? Queria salvar os irmãos e não tinha a chave para abrir a montanha de vidro.
A boa irmãzinha apanhou uma faca, cortou o dedo mindinho, introduziu-o na fechadura e, por felicidade, o portão se abriu. Assim que ela entrou, um anãozinho veio ao seu encontro e disse:
- Que procuras, minha filha?
- Procuro meus irmãos, os sete corvos – respondeu ela.
Disse o anão:- Os senhores corvos não estão em casa, mas se quiseres esperar até que voltem, então entra.
Em seguida, o anãozinho trouxe a refeição dos sete corvos em sete pratinhos e em sete copinhos, e de cada pratinho a irmãzinha comeu um bocadinho, e de cada copinho bebeu um golinho; mas no último copinho deixou cair o anelzinho que trouxera consigo.De repente, ela ouviu no ar o ruflar de asas e o crocitar. O anãozinho então disse:
- Aí vêm chegando os senhores corvos. Eles chegaram, quiseram comer e beber e procuraram por seus pratinhos e copinhos. E, então, um após outro perguntou:
- Quem comeu no meu pratinho? Quem bebeu no meu copinho?Foi a boca de um ser humano.
E, quando o sétimo chegou ao fundo do copo, o anelzinho rolou ao seu encontro. Ele então o viu, reconheceu-o como o anel de seu pai e de sua mãe e disse:
- Deus queira que nossa irmãzinha esteja aqui, pois assim estaremos salvos.
Quando a menina, que os espreitava atrás da porta, ouviu este desejo, adiantou-se, e todos os corvos recobraram a forma humana. E, abraçaram-se e beijaram-se uns aos outros, e voltaram contentes para casa.

12 de mar de 2009

Agenda de Eventos Infantis SARAIVA /abril

Hora da Criança Contação de Histórias
A arte-educadora Eliana Cavalcanti convida as crianças para ouvirem a contação e participarem da atividade a partir da história: A Costureira das Fadas do livro “Reinações de Narizinho” – Monteiro Lobato. Após a leitura, será realizada uma atividade em que as crianças irão confeccionar os personagens da história, feitos em origami.
A Costureira das Fadas
4/4 sábado 16h Shopping Pátio Higienópolis
5/4 domingo 15h Shopping Ibirapuera

Romeu e Julieta
11/4 sábado 16h Shopping Pátio Higienópolis
Venha ouvir uma história diferente com a arte-educadora Eliana Cavalcanti. Nessa contação, Romeu e Julieta são duas borboletas que moram em um reino em que as cores vivem separadas. Será que as borboletas conseguirão juntar as cores? Descubra e divirta-se nessa linda contação.
Após a leitura, será realizada uma atividade em que as crianças irão confeccionar os personagens da história, feitos em origami.


A Costureira das Fadas.
25/4 sábado 16h Shopping Center Norte
26/4 domingo 15h Shopping Anália Franco

2 de abril... Dia internacional do Livro Infantil

Dia 2 de abril é comemorado o Dia internacional do Livro Infantil. A escolha desta data para comemorar o Dia Internacional do Livro Infantil foi feita em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen. Hans foi um renomado escritor de histórias infantis, escreveu mais de 156 contos. Entre suas obras destaca-se “O patinho feio”, “O soldadinho de chumbo” e “As roupas novas do imperador”. A data é comemorada em mais de 60 países e é uma tentativa de despertar nas crianças o interesse pela literatura. A literatura infantil surgiu no século XVII com Fenélon (1651-1715), com a função de educar moralmente as crianças. O maior escritor infantil brasileiro de todos os tempos, José Bento Monteiro Lobato, nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP).


Em 1920 lançou A MENINA DO NARIZ ARREBITADO, escreveu para crianças ininterruptamente e com sucesso estrondoso, traduziu muito e teve suas obras traduzidas. - Morreu em 4 de julho de 1948. Suas obras infantis completas são constituídas por 17 volumes.


Narizinho
Narizinho, Narizinho
Sonha, sonha com amigos
É a fada brasileira de agrados e castigos
Sonhando abrir a porta
Do Reino das Águas Claras
Um céu de estrelas marinhas
E um chão de conchas raras
Narizinho, Narizinho
Sonha, sonha com amigos
É a fada brasileira de agrados e castigos

Uma aranha sobe e desce
Vem e tece o seu vestido
Com as cores do pedidoFelicidade brilhante
Narizinho, Narizinho
Sonha, sonha com amigos
É a fada brasileira de agrados e castigos

A boneca já falante
Lhe foge entre os dedos
Nastácia o pesadelo
De acordá-la sempre antes
Narizinho, Narizinho
Sonha sonha com amigos
É a fada brasileira de agrados e castigos

Os heróis de outras histórias
Tão cansados, inocentes
Vão deixar as suas glórias
Pra viver junto com a gente
Narizinho, Narizinho
Sonha, sonha com amigos
É a fada brasileira de agrados e castigos

8 de mar de 2009

Agenda para o mês de março de 2009

Evento Fechado
Dia 13 de março Contação de Histórias
na EMEI: Novo Horizonte l (manhã)
Jd. Novo Horizonte - Carapicuíba


Dia 20 de março Contação de Histórias
na EMEI: Novo Horizonte l (tarde)
Jd. Novo Horizonte - Carapicuíba