Lia Silva

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Qualquer motivo é um bom motivo para uma Contação de Histórias: início das aulas, início das férias, dia do livro, dia do índio, dia das mães, dia dos avós, dia dos pais, dia das crianças, dia das bruxas, natal... Até mesmo as mudanças das estações do ano... Pode-se usar HISTÓRIAS para abordar assuntos importantes e complicados como a morte, bullying, desastres naturais, etc.

25/03/2009

História: Os Sete Corvos


Os Sete Corvos
Conto de autoria dos irmãos Grimm, traduzido do original por
Ruth Salles e Renate Kaufmann.


Era uma vez um homem que tinha sete filhos, mas por mais que o desejasse, nem uma só filha. Afinal, de novo sua mulher lhe comunicou a próxima vinda de uma criança; e, quando esta veio ao mundo, era realmente uma menina.
Foi grande a alegria, mas a criança era pequena e franzina e, devido sua fraqueza, precisou ser batizada às pressas. O pai mandou, com urgência, um dos meninos fonte buscar água para o batismo, e os outros seis foram junto.
Como cada um quisesse ser o primeiro a tirar água, o jarro lhes caiu dentro do poço, e lá ficaram eles sem saber o que fazer, e nenhum se atrevia a ir para casa.
Como nunca mais voltassem, o pai impaciente sentou-se e disse:
- Certamente, por causa de alguma brincadeira, esses meninos desalmados se esqueceram da tarefa. E, temeroso de que a menina morresse sem ser batizada, exclamou mui o zangado:
- Quisera que todos eles se transformassem em corvos. Mal pronunciara essas palavras, ouviu sobre a cabeça um ruflar de asas, olhou para o alto e viu sete corvos pretos como carvão que alçaram vôo e partiram. Os pais não puderam tirar a maldição, mas, embora desolados com a perda dos sete filhos, encontraram algum consolo na querida filhinha, a qual logo adquiriu forças e, dia após dia, foi ficando mais bonita.
Durante muito tempo, ela nunca soube que tivera irmãos, pois os pais tinham o cuidado de não lhe falar no assunto; até que um dia, por acaso, ouviu algumas pessoas dizerem que ela era uma menina muito bonita, mas, praticamente, a culpada da desgraça de seus sete irmãos.
Ela então, consternada, foi perguntar ao pai e mãe se tivera irmãos e o que fora feito deles.
Os pais não puderam manter o segredo por mais tempo, mas lhe disseram que aquilo fora um decreto do céu, e seu nascimento apenas o motivo inocente. Porém a menina todos os dias sentia escrúpulos de ter sido a causa da desgraça de seus irmãos e achou que precisava salvá-los.
E não teve mais sossego, até que um dia partiu secretamente e saiu pelo mundo afora, a fim de encontrá-los, onde quer que estivessem, e libertá-los.
Não levou nada consigo, a não ser um anelzinho de seus pais como lembrança, um pão para matar a fome, um jarrinho com água para saciar a sede e um banquinho para descansar. E foi andando, para longe, para longe, até o fim do mundo.
Chegou onde estava o sol, mas este era quente demais, assustador, e comia criancinhas. Fugiu então apressadamente e correu até a lua, mas esta era fria demais e também horrível e má. Ao notar a criança disse:
- Sinto cheiro, sinto cheiro de carne humana.
A menina foi-se embora depressa e chegou até as estrelas, que foram boas e gentis com ela. Cada uma estava sentada em sua cadeirinha; e a estrela d’alva, dando um ossinho de galinha, disse:- Sem este ossinho não poderás destrancar a porta da montanha de vidro, onde se encontram seus irmãos. A menina pegou o ossinho, embrulhou-o muito bem num lenço, e partiu novamente, caminhando por muito tempo, até chegar à montanha de vidro.
O portão estava trancado, e ela quis tirar o ossinho do lenço, mas quando o abriu estava vazio: ela perdera o presente das bondosas estrelas. Que fazer agora? Queria salvar os irmãos e não tinha a chave para abrir a montanha de vidro.
A boa irmãzinha apanhou uma faca, cortou o dedo mindinho, introduziu-o na fechadura e, por felicidade, o portão se abriu. Assim que ela entrou, um anãozinho veio ao seu encontro e disse:
- Que procuras, minha filha?
- Procuro meus irmãos, os sete corvos – respondeu ela.
Disse o anão:- Os senhores corvos não estão em casa, mas se quiseres esperar até que voltem, então entra.
Em seguida, o anãozinho trouxe a refeição dos sete corvos em sete pratinhos e em sete copinhos, e de cada pratinho a irmãzinha comeu um bocadinho, e de cada copinho bebeu um golinho; mas no último copinho deixou cair o anelzinho que trouxera consigo.De repente, ela ouviu no ar o ruflar de asas e o crocitar. O anãozinho então disse:
- Aí vêm chegando os senhores corvos. Eles chegaram, quiseram comer e beber e procuraram por seus pratinhos e copinhos. E, então, um após outro perguntou:
- Quem comeu no meu pratinho? Quem bebeu no meu copinho?Foi a boca de um ser humano.
E, quando o sétimo chegou ao fundo do copo, o anelzinho rolou ao seu encontro. Ele então o viu, reconheceu-o como o anel de seu pai e de sua mãe e disse:
- Deus queira que nossa irmãzinha esteja aqui, pois assim estaremos salvos.
Quando a menina, que os espreitava atrás da porta, ouviu este desejo, adiantou-se, e todos os corvos recobraram a forma humana. E, abraçaram-se e beijaram-se uns aos outros, e voltaram contentes para casa.

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