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18 de out. de 2009

Pisca-Tudo


Pisca-Tudo

(José Pozenato)

Pisca-Tudo é o nome da oficina elétrica de Januário.
Já se vê que Januário é um cara cheio de idéias diferentes.
Carro, caminhão, bicicleta, é só não acender mais as luzinhas ou as luzonas, que Januário dá um jeito. Encostou na oficina de Januário, sai piscando tudo. Até a moça sai piscando para o namorado.
Uma hora que Januário estava meio de folga, sem freguês, entrou um besourão, voando pela porta. Aterrissou na mesa das ferramentas e ficou ali, lustroso, a lataria brilhando.
Januário, muito dado à conversa, foi perguntando:
- Pronto, freguês. Precisa de alguma coisa?
E riu. Porque, imagina se o besouro ia responder. E não é que o besouro falou? Deu uma tossida, meio encabulado, e falou:
- Eu queria instalar um pisca-pisca.
Januário levou um susto o olhou para o lado da porta. Podia ter entrado um freguês de verdade, que tivesse ouvido a pergunta que ele fez para o besouro. Mas não tinha ninguém. Olhou de novo para o besouro:
- Fui eu mesmo que falei – disse o besouro. – Eu queria instalar um pisca-pisca
Januário riu nervoso. E perguntou:
- Onde está o seu carro?
- Eu quero instalar um pisca-pisca em mim.
Januário não estava mais achando graça. Se alguém ouvisse aquela conversa ia achar que ele estava pirado. Mas o besouro era do tipo teimoso:
- A oficina não é Pisca-Tudo? Quero sair daqui piscando.
E mexia as antenas, começando a ficar sem paciência.
- Não quer instalar um rádio também, para aproveitar as antenas?
- Nada de gracinhas – retrucou o besouro. – eu estou falando sério.
Januário coçou a cabeça. Como é que ia sair daquela bananosa?
- É que eu nunca fiz esse serviço em besouro. Só em automóvel, caminhão, bicicleta.
- Mentiroso. Outro dia entrou aqui um besourão azul e saiu piscando tudo. Eu vi.
- Aquilo não era besouro – riu Januário. – aquilo era um fusca.
- Dá na mesma. Todo mundo chama o fusca de besouro, não chama?
O sujeito era mesmo teimoso. Tinha que dar um fora nele:
- Você está com a lataria inteira – disse Januário. – é uma pena ter que furar esse cascão lustroso.
- Isso é problema meu. Fura onde tiver que furar.
- Vou ter que instalar uma bateria.
- Pois instala a bateria. Não estou perguntando preço. Gasta o que tiver que gastar.
Januário suspirou desanimado.
- Ta bom, faço o serviço. Mas por que faz tanta questão de instalar um pisca-pisca?
Foi a vez do besouro suspirar.
- Não vai rir de mim se eu contar? – perguntou o besouro meio desconfiado.
- Juro. Juro que não vou rir.
- É que eu estou namorando uma vaga-lume.
Januário teve que se segurar para não rir. Mas tinha jurado que ia ficar sério e ficou sério:
- É mesmo?
O besouro tossiu, disfarçado:
- Para dizer a verdade, eu ainda não estou namorando. Estou querendo namorar uma vaga-lume, mas ela não me dá bola.
- É mesmo? E por quê?
- Porque eu não tenho um pisca-pisca.
- É, essas mulheres são exigentes – comentou Januário.
- Não fala assim da minha vaga-lume – engrossou o besouro. – ela tem razão. Sem pisca-pisca eu não posso nem sair de noite com ela. E é a hora que ela mais gosta de sair.
Deu um suspiro comprido e completou:
- Precisa ver o pisca-pisca que ela tem! É lindo, é uma coisa de louco.
- Eu faço um melhor – prometeu Januário.
Se arrependeu de ter dito isso. Era pura vaidade. Mas já tinha dito e não podia voltar atrás.
- É mesmo?! – disse o besouro, quase dando um pulo de contente.
Taí, pensou, Januário. É nisso que dá ser vaidoso. Agora ia mesmo ter que instalar o pisca-pisca.
- Já que o caso é esse, de impressionar vaga-lume, eu tive uma idéias. Em vez de furar a sua lataria, eu vou puxar os fios por cima, bem alinhados, e colar com um ponto de cola. Você vai ficar um besouro listrado. Sempre é bom mudar um pouco o visual.
O besouro esfregou as antenas, de pura alegria:
- Ela vai adorar!
E lá foi o Januário atrás de fios bem finos e de cola. Conseguiu duas lâmpadas, bem pequenas, uma vermelha e outra verde. Quando acendesse a luzinha vermelha da frente, apagava a verde de trás. Um pisca-pisca de deixar a vaga-lume louca da vida.
O problema era a bateria. Tinha que ser menor que uma unha. E então lembrou: a bateria do relógio digital. Podia colar na cabeça do besouro e pintar na mesma cor lustrosa das asas.
Assim pensou e assim fez. O besouro deixou Januário fazer a instalação, com a maior paciência. Coração apaixonado é capaz de qualquer sacrifício.
Mas foi um sacrifício que valeu a pena. O besouro saiu que nem carro envenenado. Todo com listras brancas e as luzinhas verde e vermelha pisca-piscando. Ia com certeza amolecer o coração da vaga-lume.
Quando ele já tinha ido, Januário se lembrou. Devia ter instalado uma célula fotoelétrica para o pisca-pisca só acender de noite. Mas com certeza o besouro voltaria quando a bateria descarregasse. E então poderia melhorar o equipamento.
Satisfeito da vida, Januário pegou um spray e escreveu na parede da frente da oficina:



______________________
Instala-se pisca-pisca
em besouros
_______________________________

Pensou mais um pouco e escreveu embaixo:

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Conserta-se pisca-pisca
de vaga-lumes

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Resultado: a freguesia não parou de aumentar. Era uma fila de besouros e de vaga-lumes na porta da oficina Pisca-Tudo.

José Pozenato é escritor, poeta e ensaísta. Publicou os contos policiais O Caso do Martelo, O Caso do Loteamento e O caso do E-mail. Para crianças escreveu O Jacaré da Lagoa e Pisca-Tudo. É autor do livro Quatrilho, levado à tela por Fábio Barreto, concorrente ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1996.

http://www.itaucultural.org.br/rumos2004/download/literatura/piscatudo.doc

15 de out. de 2009

SAPOMORFOSE...

Procurando uma História...

Menina Bonita do Laço de Fita
(Ana Maria Machado)

Contando Sapomorfose
(Cora Rónai)
Esta FLOR representa a Bruxa

Aqui... O Sapo.

No final, a Bruxa é acidentalmente transformada em FADA
e passa a ser representada por uma bela rosa vermelha.

A Margarida Friorenta


14 de out. de 2009

30 de set. de 2009

Falando de sentimentos

Falando de sentimentos

Falar de sentimentos não é coisa simples. Quando eles se referem àqueles considerados negativos, como raiva, ciúme, ódio ou inveja, menos ainda. Isso provavelmente se deve a dois fatores: a moral cristã, que prega que devemos amar uns aos outros a qualquer custo; e a nossa criação, baseada nessa moral, que dificulta o conhecimento de nossos aspectos internos. Considerando a criação que tivemos e oferecemos aos nossos filhos, há pouco espaço para a expressão das emoções negativas. Caso alguém diga ter inveja, não é visto como boa pessoa. E se essa expressão for de uma criança, geralmente mais transparente e autêntica em seu modo de ser, parece incomodar ainda mais. Afinal, elas são vistas como puras de coração e incapazes de coisas tão ruins.
As famílias acabam reprimindo o reconhecimento dos sentimentos nos pequenos. Ao dizer, por exemplo, que tem raiva do irmão, os pais rapidamente dizem que não, que de verdade ele o ama. Ter raiva de alguém em algum momento não significa que não haja amor. Atitudes assim, embora cheias de boas intenções, não ajudam. Algumas crianças se sentem muito mal de terem esses sentimentos, e acabam acreditando que são más. Quando alguém lhes oferece compreensão, dizendo-lhes o quanto isso é natural, sentem-se aliviadas. Temos de ter em mente que raiva, ciúme, inveja e o tão temido ódio fazem parte da natureza humana (é interessante observar como muitos se surpreendem quando ouvem a palavra ódio). Assim como o amor. Se pudermos reconhecer os primeiros fazendo parte de nós, podemos confiar na nossa capacidade de amar, sem desconfiar do que sentimos. Os dois tipos de sentimentos fazem parte do mesmo universo - diz o ditado que o amor e o ódio são o reverso da mesma moeda. O que não quer dizer colocá-los para fora de qualquer maneira. Pelo contrário. Sentir seja lá o que for é legítimo, bem diferente de expressar-se de qualquer forma. Ou seja, sentir raiva de alguém é uma coisa possível, mas bater no alvo de sua raiva não. Portanto, a repressão não deve ser para o que sentimos, mas para a ação decorrente. Espaço para o sentimento Se criarmos um espaço para reconhecermos e falarmos dos nossos sentimentos, não precisaremos transformá-los em atitudes. Muitas atitudes que temos impensadamente são decorrência de sentimentos que não foram pensados e reconhecidos por nós. Não podemos nos esquecer de que, em algum momento e de alguma forma, eles serão colocados para fora. O melhor é que seja em palavras. E se pudermos falar sobre eles, teremos uma grande chance de dar-lhes um sentido. Ninguém sente raiva à toa. Algo a provocou. Então, vamos ajudar nossas crianças a olharem sem medo ou culpa para o que sentem. Mas para isso temos que começar a ver esses sentimentos com naturalidade. Eles fazem parte de nossa natureza e é muito mais fácil mudar nossa visão deles do que mudar a natureza humana.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL755602-5604,00-OPINIAO+FALANDO+DE+SENTIMENTOS.html

23 de set. de 2009

Bolsa de cx longa vida

Aqui, bolsinhas feitas com caixa longa vida, barbante "rabo de gato" para as alças e botão para o fecho...

Quando me apresento em Contações de Histórias levo comigo esta pequena e antiga caixa de relógio que, revestida por dentro com tecido de algodão, se transformou num BAÚ onde coloco pedaços de papéis dobrados com nomes das histórias a serem contadas. As crianças adoram escolher! É uma maneira bacana de participar!